sexta-feira, 16 de março de 2012

Aprofundando mais

43. Para entender o Tantra

Tantra (do Sânscrito: tratado sobre ritual, meditação e disciplina). Yoga tântrico ou tantrismo é uma filosofia comportamental de características matriarcais, sensoriais e desrepressoras. Trata da mulher, da sensibilidade e libera. Essencialmente, a prática tem por objetivo o desenvolvimento integral do ser humano nos seus aspectos físico, mental e espiritual a partir do fator feminino.
Origem da expressão: a palavra "tantra" é composta por duas raízes acústicas: "tan" e "tra". "Tan" significa expansão e "Tra" libertação.
Tal denominação tem as suas raízes em fatores históricos muito sutis, pois esta filosofia comportamental durante a época medieval foi severamente reprimida na Índia Hinduísta, sempre fortemente espiritualizada. Esta era a forma como os seguidores desta filosofia a viam. Libertadora, mas mantida em segredo (na escuridão) para os não iniciados.
Dispondo de imensos significados e interpretações, mais ou menos corretos, tais como teia, trama, entretecido ou trança, Tantra pode ser interpretado, mais corretamente, como algo que é regulado por regras gerais.

Descrição

Tantra é uma filosofia hindu muito antiga cuja natureza comportamental mais lhe faz delinear, tendo por características, como foi dito, matriarcal (o aspecto mãe), sensorial (o sentir), naturalista (tendo como fonte a natureza) e desrepressora (libertadora dos preconceitos). Também é o Tantra um complexo sistema de descrição da realidade objetiva tornando-o assim uma ciência prática e aplicável, sendo a base do pensamento de um povo muito antigo que até hoje e cada vez mais faz ecoar sua influência sobre a sociedade contemporânea.
Nas sociedades primitivas não-guerreiras, na qual a cultura não era centrada na guerra (lado direito do cérebro), a mulher era fortemente exaltada, até mesmo endeusada e muitas vezes chefe de tribos, na medida em que dava vida a outros seres humanos gerando de dentro de seu ventre as novas vidas. Dai, a qualidade matriarcal. A partir dessa qualidade desdobra-se a qualidade sensorial ("a mãe dá à luz pelo seu ventre e alimenta o filho pelo seu seio"). O ato de parir é o ápice do processo natural. E a desrepressora é entendida como tendo a mãe sempre mais carinhosa e liberal que o pai, pelo fato de o filho ter nascido do seu corpo, doadora de sua própria natureza, normalmente, mais carinhosa que o macho, mais agressivo.
Baseado quase inteiramente no culto de Shiva e Shakti, o tantra visualiza o Brahman definitivo como Param Shiva, manifesto através da união de Shiva (a força ativa, masculina, de Shiva) e Shakti (a força passiva, feminina, de sua esposa, conhecida também como Kali, Durga, Parvati e outros nomes).
Está centrado no desenvolvimento e despertar da kundaliní, a "serpente" de energia ígnea, de natureza biológica e manifestação sexual, situada na base da espinha que ascende através dos chakras, como vimos, até se obter a união entre Shiva e Shakti, também conhecida como samadhi.
(Você pode pesquisar estes nomes na internet; existe riqueza de detalhes)
No Tantra, ao contrário da maioria das filosofias espiritualistas, se vê o corpo não como um obstáculo mas como um meio para o conhecimento. Para o Tantra todo o complexo humano é vivo e possui consciência independente da consciência central e por isso mesmo é merecedor de atenção, respeito e reconhecimento. Para tanto, usa mantras (vocalização de sons e ultra sons em sânscrito), yantras (figuras geométricas, desde simples a complexas, como mandalas, por exemplo, que representam as diversas formas de Shakti) e rituais que incluem formas de meditação de grande complexidade (realizadas apenas com apoio de um guru experiente, pois podem ser prejudiciais).
Afirma-se que poucas pessoas estão prontas para o tantra, principalmente aquelas tipo pashu-bava (disposição animal). A observância do celibato, honestidade, respeito aos mais velhos, limpeza corporal, limpeza ritual através de orações e outros processos, por longos anos, deve levar ao abandono dos desejos, ambição, motivação sexual, etc. Se ainda assim estas características persistirem, a pessoa não está apta para o tantra. Portanto, mais ainda que outros yogas, o tantra, seja hindu ou budista, é um sistema que depende de um guru e que tem poucos adeptos fora da Índia.

Os dois ramos
Segundo alguns autores o tantra é composto por dois ramos denominados a "mão esquerda" e a "mão direita". Embora o objetivo geral dos dois seja o mesmo, os processos utilizados diferem. A "mão esquerda" está ligada muitas vezes à procura de poderes ocultos e à extroversão de energia psíquica sob forma de capacidades supra-normais. A "mão direita" está ligada à canalização de toda a eneregia para a elevação espiritual do ser humano. Este é também conhecido como "Vidya Tantra" ou tantra do conhecimento e a mão esquerda como "Avidya tantra". O tantra corretamente praticado acelera rapidamente o progresso espiritual do ser humano. Apesar disso o tantra é muitas vezes encarado com desconfiança devido a certos aspectos do avidya tantra (a parte ignorante do processo). É bem conhecido o fato de que o Budismo Tântrico sempre enfatiza a necessidade de supervisão por um orientador de confiança.

Influência no ocidente
Alega-se que o tantra teve forte influência no ocidente nas ciências ocultas. Diversos ramos do ocultismo contemporâneo, particularmente os que se dizem gnósticos ensinam alguma versão de "sexo sagrado", e são conhecidos pela expressão "espermo-gnósticos".
Muito da linguagem sexual encontrada na alquimia supostamente tem sua origem em tradições orientais relacionadas com o Tantra.
Particularmente a linha thelemita, fundada pelo polêmico mago e ocultista do início do século XX, Aleister Crowley, alega ter levado essa influência ao seu maior extremo e se apresenta como um tantra ocidentalizado.
Outra linha tântrica, que pode ser chamada de Tradição da Mão Direita, foi muito difundida por Arnold Krumm-Heller e Samael Aun Weor. Para eles, o Tantra teria como "braço mágico" certas práticas que canalizariam a energia sexual para o Despertar da Consciência Espiritual. Fica então entendido porque nós relacionamos nestes capítulos mais recentes a energia sexual ao desenvolvimento espiritual, acrescido de que a mediunidade também está associada ao mesmo aspecto.

Nenhum comentário:

Postar um comentário