quarta-feira, 14 de novembro de 2012

915-Iniciar-se para a Verdade


Kardec explica o sonho

Como você percebe, leitor, a caminhada em busca de nossa Verdade Íntima passa por auto-conhecermos-nos. O caminho mais curto é pelos sonhos.
O Livro dos Espíritos - 400. O Espírito encarnado permanece de bom grado no seu envoltório corporal?
“É como se perguntasses se ao encarcerado agrada o cárcere. O Espírito encarnado aspira constantemente à sua libertação e tanto mais deseja ver-se livre do seu invólucro, quanto mais grosseiro é este”.
401. Durante o sono, a alma repousa como o corpo?
“Não, o Espírito jamais está inativo. Durante o sono, afrouxam-se os laços que o prendem ao corpo e, não precisando este então da sua presença, ele se lança pelo espaço e entra em relação mais direta com os outros Espíritos”.
402. Como podemos julgar da liberdade do Espírito durante
o sono?
“Pelos sonhos. Quando o corpo repousa, acredita-o, tem o Espírito mais faculdades do que no estado de vigília. Lembra-se do passado e algumas vezes prevê o futuro. Adquire maior potencialidade e pode pôr-se em comunicação com os demais Espíritos, quer deste mundo, quer do outro. Dizes freqüentemente: Tive um sonho extravagante, um sonho horrível, mas absolutamente inverossímil. Enganas-te. É amiúde uma recordação dos lugares e das coisas que viste ou que verás em outra existência ou em outra ocasião. Estando entorpecido o corpo, o Espírito trata de quebrar seus grilhões e de investigar no passado ou no futuro.
Pobres homens, que mal conheceis os mais vulgares fenômenos da vida! Julgais-vos muito sábios e as coisas mais comezinhas vos confundem. Nada sabeis responder a estas perguntas que todas as crianças formulam: Que fazemos quando dormimos? Que são os sonhos? O sono liberta a alma parcialmente do corpo. Quando dorme, o homem se acha por algum tempo no estado em que fica permanentemente depois que morre. Tiveram sonos
inteligentes os Espíritos que, desencarnando, logo se desligam da matéria. Esses Espíritos, quando dormem, vão para junto dos seres que lhes são superiores. Com estes viajam, conversam e se instruem. Trabalham mesmo em obras que se lhes deparam concluídas, quando volvem, morrendo na Terra, ao mundo espiritual. Ainda esta circunstância é de molde a vos ensinar que não deveis temer a morte, pois que todos os dias morreis, como disse um santo. Isto, pelo que concerne aos Espíritos elevados. Pelo que respeita ao grande número de homens que, morrendo, têm que passar longas horas na perturbação, na incerteza de que tantos já vos falaram, esses vão, enquanto dormem, ou a mundos inferiores à Terra, onde os chamam velhas afeições, ou em busca de gozos quiçá mais baixos do que os em que aqui tanto se deleitam. Vão beber doutrinas ainda mais vis, mais ignóbeis, mais funestas do que as que professam entre vós. E o que gera a simpatia na Terra é o fato de sentir-se o homem, ao despertar, ligado pelo coração àqueles com quem acaba de passar oito ou nove horas de ventura ou de prazer. Também as antipatias invencíveis se explicam pelo fato de sentirmos em nosso íntimo que os entes com quem antipatizamos têm uma consciência diversa da nossa. Conhecemo-los sem nunca os termos visto com os olhos. É ainda o que explica a indiferença de muitos homens. Não cuidam de conquistar novos amigos, por saberem que muitos têm que os amam e lhes querem. Numa palavra: o sono influi mais do que supondes na vossa vida. Graças ao sono, os Espíritos encarnados estão sempre em relação com o mundo dos Espíritos. Por isso é que os Espíritos superiores assentem, sem grande repugnância, em encarnar entre vós. Quis Deus que, tendo de estar em contacto com o vício, pudessem eles ir retemperar-se na fonte do bem, a fim de igualmente não falirem, quando se propõem a instruir os outros. O sono é a porta que Deus lhes abriu, para que possam ir ter com seus amigos do céu; é o recreio depois do trabalho, enquanto esperam a grande libertação, a libertação final, que os restituirá ao meio que lhes é próprio. O sonho é a lembrança do que o Espírito viu durante o sono. Notai, porém, que nem sempre sonhais. Que quer isso dizer? Que nem sempre vos lembrais do que vistes, ou de tudo o que haveis visto, enquanto dormíeis. É que não tendes então a alma no pleno desenvolvimento de suas faculdades. Muitas vezes, apenas vos fica a lembrança da perturbação que o vosso Espírito experimenta à sua partida
ou no seu regresso, acrescida da que resulta do que fizestes ou do que vos preocupa quando despertos. A não ser assim, como explicaríeis os sonhos absurdos, que tanto os sábios, quanto as mais humildes e simples criaturas
têm? Acontece também que os maus Espíritos se aproveitam dos sonhos para atormentar as almas fracas e pusilânimes”.
“Em suma, dentro em pouco vereis vulgarizar-se outra espécie de sonhos. Conquanto tão antiga como a de que vimos falando, vós a desconheceis. Refiro-me aos sonhos de Joana, ao de Jacob, aos dos profetas judeus e aos de alguns adivinhos indianos. São recordações guardadas por almas que se desprendem quase inteiramente do corpo, recordações dessa segunda vida a que ainda há pouco aludíamos.Tratai de distinguir essas duas espécies de sonhos nos de que vos lembrais, do contrário cairíeis em contradições e em erros funestos à vossa fé.”
“Os sonhos são efeito da emancipação da alma, que mais independente se torna pela suspensão da vida ativa e de relação. Daí uma espécie de clarividência indefinida que se alonga até aos mais afastados lugares e até mesmo a outros mundos. Daí também a lembrança que traz à memória acontecimentos da precedente existência ou das existências anteriores. As singulares imagens do que se passa ou se passou em mundos desconhecidos, entremeados de coisas do mundo atual, é que formam esses conjuntos estranhos e confusos, que nenhum sentido ou ligação parecem ter. A incoerência dos sonhos ainda se explica pelas lacunas que apresenta a recordação incompleta que conservamos do que nos apareceu quando sonhávamos. É como se a uma narração se truncassem frases ou trechos ao acaso. Reunidos depois, os fragmentos restantes nenhuma significação racional teriam.”
403. Por que não nos lembramos sempre dos sonhos?
“Em o que chamas sono, só há o repouso do corpo, visto que o Espírito está constantemente em atividade. Recobra, durante o sono, um pouco da sua liberdade e se corresponde com os que lhe são caros, quer neste mundo, quer em outros. Mas, como é pesada e grosseira a matéria que o compõe, o corpo dificilmente conserva as impressões que o Espírito recebeu, porque a este não chegaram por intermédio dos órgãos corporais”.
404. Que se deve pensar das significações atribuídas aos sonhos?
“Os sonhos não são verdadeiros como o entendem os ledores de boa sorte, pois fora absurdo crer-se que sonhar com tal coisa anuncia tal outra. São verdadeiros no sentido de que apresentam imagens que para o Espírito têm realidade, porém que, freqüentemente, nenhuma relação guardam com o que se passa na vida corporal. São também, como atrás dissemos, um pressentimento do futuro, permitido por Deus, ou a visão do que no momento ocorre em outro lugar a que a alma se transporta. Não se contam por muitos os casos de pessoas que em sonho aparecem a seus parentes e amigos, a fim de avisá-los do que a elas está acontecendo? Que são essas aparições senão as almas ou Espíritos de tais pessoas a se comunicarem com entes caros? Quando tendes certeza de que o que vistes realmente se deu, não fica provado que a imaginação nenhuma parte tomou na ocorrência, sobretudo se o que observastes não vos passava pela mente quando em vigília?”
405. Acontece com freqüência verem-se em sonho coisas que parecem um pressentimento, que, afinal, não se confirma. A que se deve atribuir isto?
“Pode suceder que tais pressentimentos venham a confirmar-se apenas para o Espírito. Quer dizer que este viu aquilo que desejava, foi ao seu encontro. É preciso não esquecer que, durante o sono, a alma está mais ou menos sob a influência da matéria e que, por conseguinte, nunca se liberta completamente de suas idéias terrenas, donde resulta que as preocupações do estado de vigília podem dar ao que se vê a aparência do que se deseja, ou do que se teme. A isto é que, em verdade, cabe chamar-se efeito da imaginação. Sempre que uma idéia nos preocupa fortemente, tudo o que vemos se nos mostra ligado a essa idéia.”
406. Quando em sonho vemos pessoas vivas, muito nossas conhecidas, a praticarem atos de que absolutamente não cogitam, não é isso puro efeito de imaginação?
“De que absolutamente não cogitam, dizes. Que sabes a tal respeito? Os Espíritos dessas pessoas vêm visitar o teu, como o teu os vai visitar, sem que saibas sempre o em que eles pensam. Demais, não é raro atribuirdes, de acordo com o que desejais, a pessoas que conheceis, o que se deu ou se está dando em outras existências”.
407. É necessário o sono completo para a emancipação do Espírito?
“Não; basta que os sentidos entrem em torpor para que o Espírito recobre a sua liberdade. Para se emancipar, ele se aproveita de todos os instantes de trégua que o corpo lhe concede. Desde que haja prostração das forças vitais, o Espírito se desprende, tornando-se tanto mais livre, quanto mais fraco for o corpo.”
Assim se explica que imagens idênticas às que vemos, em sonho, vejamos estando apenas meio dormindo, ou em simples modorra ou em estado medidativo.
408. E qual a razão de ouvirmos, algumas vezes em nós mesmos, palavras pronunciadas distintamente e que nenhum nexo têm com o que nos preocupa?
“É fato: ouvis até mesmo frases inteiras, principalmente quando os sentidos começam a entorpecer-se. É, quase sempre, fraco eco do que diz um Espírito que convosco se quer comunicar”.
409. Doutras vezes, num estado que ainda não é bem o do adormecimento, estando com os olhos fechados, vemos imagens distintas, figuras cujas mínimas particularidades percebemos. Que há aí, efeito de visão ou de imaginação?
“Estando entorpecido o corpo, o Espírito trata de desprender-se. Transporta-se e vê. Se já fosse completo o sono, haveria sonho.”
410. Dá-se também que, durante o sono, ou quando nos achamos apenas ligeiramente adormecidos, acodem--nos idéias que nos parecem excelentes e que se nos apagam da memória, apesar dos esforços que façamos para retê-las. Donde vêm essas idéias?
“Provêm da liberdade do Espírito que se emancipa e que, emancipado, goza de suas faculdades com maior amplitude. Também são, freqüentemente, conselhos que outros Espíritos dão”.
a) — De que servem essas idéias e esses conselhos, desde que, pelos esquecer, não os podemos aproveitar?
“Essas idéias, em regra, mais dizem respeito ao mundo dos Espíritos do que ao mundo corpóreo. Pouco importa que comumente o Espírito as esqueça, quando unido ao corpo. Na ocasião oportuna, voltar-lhe-ão como inspiração de momento”.
411. Estando desprendido da matéria e atuando como Espírito sabe o Espírito encarnado qual será a época de sua morte?
“Acontece pressenti-la. Também sucede ter plena consciência dessa época, o que dá lugar a que, em estado de vigília, tenha a intuição do fato. Por isso é que algumas pessoas prevêem com grande exatidão a data em que virão a morrer”.
412. Pode a atividade do Espírito, durante o repouso, ou o sono corporal, fatigar o corpo?
“Pode, pois que o Espírito se acha preso ao corpo qual balão cativo ao poste. Assim como as sacudiduras do balão abalam o poste, a atividade do Espírito reage sobre o corpo e pode fatigá-lo”.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

914-Iniciar-se para a Verdade


Sonhos: os vôos da alma

Aqui também viajamos nas asas do mestre Lèon Denis: O estudo do sono fornece-nos indicações de grande importância sobre a natureza da personalidade. Em geral não se aprofunda muito o mistério do sono. O exame atento desse fenômeno, o estudo da alma e da sua forma fluídica durante a parte da existência que consagramos ao descanso, conduzir-nos-ão a uma compreensão mais alta das condições do ser na vida do Além.
Que é então o sono?
É simplesmente o desprendimento da alma, que sai do corpo. Diz-se: o sono é irmão da morte. Essas palavras exprimem uma verdade profunda. Seqüestrada na carne no estado de vigília, a alma recupera, durante o sono, a sua liberdade relativa, temporária, e ao mesmo tempo o uso dos seus poderes ocultos. A morte será a sua libertação completa enquanto não estiver novamente encarnada.
Já nos sonhos, vemos os sentidos da alma, esses sentidos psíquicos, dos quais os do corpo são a manifestação externa e amortecida, entrar em ação. À medida que as percepções externas se enfraquecem e apagam, quando os olhos estão fechados e suspensa a audição, outros meios mais poderosos despertam nas profundezas do ser. Vemos e ouvimos com os sentidos internos. Imagens, formas, cenas à distância sucedem-se e desenrolam-se; travam-se conversas com pessoas vivas ou falecidas. Esse movimento, muitas vezes incoerente e confuso no sono natural, adquire precisão e aumenta com o desprendimento da alma no sono provocado, no transe de sonambulismo e no êxtase.
Às vezes, a alma afasta-se durante o descanso do corpo e são as impressões das suas viagens os resultados das suas indagações, das suas observações, que se traduzem pelos sonhos. Nesse estado, um laço fluídico ainda a liga ao organismo material e, por esse vínculo sutil, espécie de fio condutor, as impressões e as vontades da alma podem transmitir-se ao cérebro. É pelo mesmo processo que, nas outras formas do sono, a alma governa o seu invólucro terrestre, fiscaliza-o, dirige-o. Essa direção, no estado de vigília, durante a encarnação, exercita-se de dentro para fora; efetuar-se-á em sentido inverso nos diferentes estados de desprendimento. A alma, emancipada, continuará a influenciar o corpo mediante o laço fluídico que continuamente liga um à outra. Desde esse momento, no seu poder psíquico reconstituído, a alma exercerá sobre o organismo carnal uma direção mais eficaz e segura. A marcha dos sonâmbulos à noite, em lugares perigosos e com inteira segurança, é uma demonstração evidente desse fato.
O estudo do sono fornece-nos indicações de grande importância sobre a natureza da personalidade. Em geral não se aprofunda muito o mistério do sono. Já afirmamos que esses estudos conduzir-nos-ão a uma compreensão mais alta das condições do ser na vida do Além.
O sono possui não só propriedades restauradoras que a Ciência não pôs no devido relevo, mas também um poder de coordenação e centralização sobre o organismo material. Pode, além disso, acabamos de o ver, provocar uma ampliação considerável das percepções psíquicas, maior intensidade do raciocínio e da memória.

NOSSAS VISITAS EM SONHO

O sono é um fenômeno físico pelo qual o corpo entra em repouso ficando a alma parcialmente em liberdade. Durante o sono, apenas o corpo descansa, pois o Espírito nunca fica inativo. Quando dormimos, ficamos, temporariamente no estado em que nos acharemos de maneira definitiva após a morte, excetuada apenas a questão dos sinais vitais que na morte são paralisados.
Assim deveríamos ir nos acostumando, desde já, a não temer a morte, visto que morremos todos os dias um pouco até o dia em que este corpo será oficialmente abandonado. 
Por meio do sono, entramos em contato mais direto com os Espíritos, através dos sonhos, e é isso precisamente o que faz com que os Espíritos superiores consintam, sem grande repugnância, encarnar entre nós; o sono é a porta aberta para irem ter com os seus amigos celestiais; é o recreio após o trabalho, enquanto aguardam a grande libertação, pelo desencarne, que os restituirá ao meio que lhes é próprio.
Pelos sonhos os Espíritos recobram a noção de sua liberdade, lembrando-se do passado e algumas vezes prevendo o futuro.
O sonho é a lembrança do que o Espírito viu ou fez durante o sono.
O perispírito, laço fluídico que liga o Espírito ao corpo através do sistema nervoso, somente se rompe definitivamente pela morte, isto é, pela extinção absoluta da atividade vital, e assim, enquanto o corpo vive, o Espírito, a qualquer distância que esteja, é instantaneamente chamado à prisão, desde que a sua presença aí se torne necessária.
Sendo pesada e grosseira a matéria de que se constitui o nosso corpo, dificilmente podemos conservar as impressões que o nosso Espírito recebeu durante o sono do corpo, e daí não nos lembrarmos sempre dos sonhos; por vezes, porém, ao despertar, conservamos uma lembrança dessas peregrinações, uma imagem mais ou menos precisa, que constitui o sono, ou ainda, trazemos dessas atividades espirituais, intuições que nos sugerem idéias e pensamentos novos, justificando o provérbio que diz ser a noite boa conselheira.
Quando, porém, é necessário e útil que recordemos certos sonhos, os Espíritos atuam magneticamente sobre nós, tão intensa e deliberadamente que nos possibilitam fazer essas recordações, vencendo a barreira vibratória da matéria.
No estado de emancipação, isto é, quando dormimos, prepondera a vida da alma, podendo então, nesse estado, dar-se o encontro entre pessoas vivas, ou seja, entre encarnados. Aliás, quase todas as noites, durante o sono, nos encontramos com amigos e parentes e com os que conhecemos.
Podemos mesmo, às vezes, provocar pela nossa vontade, esses encontros; porém, muitas vezes acontece que, adormecendo, nosso Espírito desperta com o propósito de não prosseguir na intenção do homem, visto que desprendido da matéria vê as coisas diferentemente, sob outro prisma.
Os sonhos podem ser classificados como: sonhos do subconsciente e sonhos reais. Os sonhos do subconsciente são reproduções de pensamentos, idéias e impressões que afetaram nossa mente na vigília, caracterizando-se pelo seu aspecto confuso, nebuloso e pela incoerência e falta de nitidez. Os sonhos reais são os contatos feitos com pessoas ou coisas do mundo espiritual, em lugares para onde somos atraídos por afinidade, vendo, ouvindo ou sentindo, direta e objetivamente os acontecimentos destas esferas de ação, até mesmo com protagonistas, em verdadeiros desdobramentos ou exteriorizações involuntárias do Espírito. (Mediunidade, 3ª edição, página 68 e 69).

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

913-Iniciar-se para a Verdade



Cadê a verdade?

Para encontrar a Verdade temos de tangenciar o Espírito. Mas, não só. Conforme proposta destes blogs conjugados, nós temos um mapa e não basta abrir uma porta e dizer : “muito prazer, senhora Verdade”. Antes, o procurador – e o procurador é sempre um curioso (ou deveria ser) – precisa entender que a verdade mais antiga (mas não definitiva) está na Consciência. E a Consciência é a Mente do Espírito. Não está escondida, nem fechada, ela se mostra, conversa conosco, faz gestos, dá sinais, mas desespera-se com nossa insensibilidade.

Os outros endereços da nossa verdade estão naquilo que as pessoas pensam de nós. Embora irrelevante, como pensam muitos, a opinião dos nossos vizinhos, de nossos parentes, das pessoas que tratam coisas conosco, é uma poderosa fonte de energia, um canhão laser apontado para nosso sistema energético. Conta também o que nós pensamos deles. Toda a emissão energética vai e rebate, rebate e volta. Claro, você pode pensar: no primeiro caso também os canhões laser apontados pelos outros baterão e voltarão, sim, é verdade. Mas, o conceito não se desfaz. E é no conceito que se consolida o discernimento, o foco, e esse foco acaba sendo verdade, a verdade momentânea. Dá para mudar isso? Dá. Esse é o esforço dos blogs conjugados: contribuir para nossa chegada aos patamares da Nova Era que acelera em condições de melhor fluxo.

Outro endereço da nossa verdade está naquilo que pensamos de nós mesmos. Somos os melhores ou somos os piores, não importa tanto, mas importa, sim, saber se é isso é verdade, porque se penso que sou o pior e isso é mentira, tem um preço. Se penso que sou o melhor e isso é mentira, tem outro preço. Se, sim, penso que não sou tão bom, mas quero melhorar e dirijo meus esforços para este objetivo, faz toda a diferença.

Se o que os outros pensam de mim não é o real, causará um descompasso em minha vida e eu, só eu tenho o poder de mudar isso.  

Em casos extremos – e já abordamos algo parecido anteriormente – surgem para nós perturbações capazes de chamar muita atenção por conta de seus efeitos. São rebeliões provocadas pelo Espírito para dizer “eu não estou brincando, quero dirigir o destino desta vida que me pertence”.
E pensar que ainda tem gente que consegue confundir tudo e imaginar que tais perturbações têm origem numa entidade separada, imiscuída, intrometida, invasora, rival!!!  (Às vezes, sim, são obsessores, mas esses podem ser afastados mais facilmente do que solucionar-se o outro descompasso).

Uma interessante abordagem a este respeito pode ser encontrada em “O Problema do Ser, do Destino e da Dor”, em que Lèon Denis explica:
No seu conjunto, esses fenômenos demonstram que além do nível da consciência normal, fora da personalidade comum, existem em nós planos de consciência, camadas ou zonas dispostas de tal maneira que, em certas condições, se podem observar alternâncias nesses planos. Vê-se então emergirem e manifestarem-se, durante um certo tempo, atributos, faculdades que pertencem à consciência profunda, mas que não tardam a desaparecer para volverem ao seu lugar e tornarem a mergulhar na sombra e na inação.

O nosso “eu” ordinário, superficial, limitado pelo organismo, não parece ser mais do que um fragmento do nosso “eu” profundo. Neste está registrado um mundo inteiro de fatos, de conhecimentos, de recordações referentes ao longo do passado da alma, compromissos assumidos, metas determinadas, missões recebidas. Durante a vida normal, todas essas reservas permanecem latentes, como que sepultadas por baixo do invólucro material; reaparecem no estado de sonambulismo. O apelo da vontade e a sugestão as mobilizam e elas entram em ação e produzem os estranhos fenômenos que a psicologia oficial comprova sem poder explicá-los.

Todos os casos de desdobramento da personalidade, todos os fenômenos de clarividência, telepatia, premonição, bilocação, aparecimento de sentidos novos e de faculdades desconhecidas, todo esse conjunto de fatos, cujo número aumenta e constitui já um grandíssimo amálgama, deve ser atribuído à intervenção das forças e recursos da personalidade oculta.
O estado de sonambulismo, em que é mais comum a sua manifestação, não é um estado “regressivo” ou mórbido, como o julgaram certos observadores; é, antes, um estado superior e, segundo a expressão de Myers, “evolutivo”. (Denis trabalha incansavelmente os conteúdos do pioneiro da psicologia, porém não famoso como Freud, Frederic William Henry Myers, contemporâneo seu). É verdade que o estado de degenerescência e enfraquecimento orgânico facilita, em alguns pacientes, o afloramento das camadas profundas do “eu”, o que é designado pelo nome de histeria. Tudo o que, de um modo geral, deprime o corpo físico, convém notar, favorece o desprendimento, a saída do Espírito. A esse respeito, muitos testemunhos nos seriam fornecidos pela lucidez dos moribundos; mas, para avaliar somente esses fatos, é mister considerá-los principalmente sob o ponto de vista psicológico. Aí está toda a sua importância.
A ciência materialista viu nesses fenômenos o que ela chama “desintegrações”, isto é, alterações e dissociações da personalidade. Os diversos estados da consciência aparecem algumas vezes tão distintos e os tipos que surgem são de tal modo diferentes do tipo normal, que têm levado a crer que se está em presença de várias consciências autônomas, em alternação no mesmo paciente.
Acreditamos, com Myers, que nada disso sucede. Há aí simplesmente uma variedade de estados sucessivos coincidindo com a permanência do “eu”. A consciência é uma, mas se manifesta de diversos modos: de maneira restrita, na vida normal, enquanto está limitada ao campo do organismo; mais completa, mais extensa em estados de desprendimento e, finalmente, de maneira cabal, perfeita, na ocasião da morte, depois da separação definitiva, como o demonstram as manifestações e os ensinamentos dos Espíritos.

A desagregação é, pois, apenas aparente. A única diferença entre os estados variados de consciência é uma diferença de graus. Esses graus podem ser numerosos. O espaço que, por exemplo, medeia entre o estado de prisão ao corpo e a exteriorização completa parece considerável. A personalidade não deixa, por isso, de permanecer idêntica através da concatenação dos fatos da consciência, que um laço contínuo liga entre si, desde as modificações mais simples do estado normal até os casos que comportam transformação da inteligência e do caráter; desde a simples idéia fixa e os sonhos até a projeção da personalidade no mundo espiritual, nesse Além onde a alma recupera a plenitude das suas percepções e dos seus poderes.

Já no decurso da existência terrestre, da infância à velhice, vemos o “eu” modificar-se incessantemente; a alma atravessa uma série de estados, anda em mudança contínua. Não obstante, no meio dessas diversas fases, é invariável a fiscalização que exerce sobre o organismo. A Fisiologia salientou a sábia e harmoniosa coordenação de todas as partes do ser, as leis da vida orgânica e do mecanismo nervoso, que não podem ser explicadas sem a presença de uma unidade central. Essa unidade soberana é a origem e a causa conservadora da vida; relaciona-lhe todos os elementos, todos os aspectos. Foi por uma conseqüência não menos perniciosa das teorias materialistas que os “psicólogos” da escola oficial chegaram a considerar o gênio como uma neurose, quando ele pode ser a utilização, em maior escala, dos poderes psíquicos ocultos no homem.
Myers, falando da categoria dos histéricos que conduzem o mundo, emite a opinião de que “a inspiração do gênio não seria mais do que a emergência, no domínio das idéias conscientes, de outras idéias em cuja elaboração a consciência não tomou parte, mas que se têm formado isoladamente, por assim dizer, independentemente da vontade, nas regiões profundas do ser”.

Em geral, aqueles que tão levianamente são qualificados como “degenerados” são muitas vezes “progenerados”, e nestes sensitivos, histéricos ou neuróticos, as perturbações do organismo físico e as alterações nervosas muito caracterizadas em certas inteligências geniais, como em outro lugar vimos (No Invisível, último capítulo), podem realmente ser um processo de evolução pelo qual toda a humanidade terá de passar para chegar a um grau mais intenso da vida planetária.

O desenvolvimento do organismo humano até à sua expansão completa é sempre acompanhado de perturbações, do mesmo modo que o aparecimento de cada novo ser na Terra é delas precedido. Em nossos esforços dolorosos para maior soma de vida, os valores mórbidos transmutam-se em forças morais. As nossas necessidades são instintos em fusão, que se concretizam em novos sentidos para adquirir mais poder e conhecimento.

Mesmo no estado comum, no estado de vigília, emergências, impulsos do “eu” profundo podem remontar até às camadas exteriores da personalidade, trazendo intuições, percepções, lampejos bruscos sobre o passado, presente e futuro do ser, os quais denotam faculdades muito extensas, que não pertencem ao “eu” normal. Cumpre relacionar com essa ordem de fenômenos a maior parte dos casos de escrita automática. Dizemos a maior parte, porque sabemos de outros que têm como causa agentes externos e invisíveis. Há em nós uma espécie de reservatório de águas subterrâneas, donde, em certas horas, rompe e sobe à superfície como uma corrente rápida e em ebulição. Os profetas, os mártires de todas as religiões, os missionários, os inspirados, os entusiastas de todos os gêneros e de todas as escolas conheceram esses impulsos surdos e poderosos, e nos têm brindado com as maiores obras que hão revelado aos homens a existência de um mundo superior.
No próximo capítulo falaremos dos sonhos.

domingo, 11 de novembro de 2012

912-Iniciar-se para a Verdade



A busca da Verdade

Quantas vezes você já ouviu a frase “conhece a verdade e ela te libertará”? Não foi um nem dois autores desta ótima sentença. O problema está em que só os iniciados têm a ocasião de descobrir qual é a verdade que se deve procurar. Os grandes filósofos do passado sugeriam a descoberta de Deus. Deus não pode ser descoberto pela mente humana. Seria mal comparar trazer um índio do sertão brasileiro para dentro de um avião a jato e dizer-lhe “voa!!!”
Na mente do índio não cabe o avião – que ele nunca viu, talvez o ouviu cruzando os céus –, mas, muito intrigado pode ter imaginado ser um deus mandando algum recado. Imagina o índio fazendo a parafernália acionar-se e sair do chão...
Assim, a mente humana não tem como imaginar Deus e muito menor entender como funciona a sua engenharia.
Mas, os afoitos gostariam de possuir o poder de concorrer com Deus e até conseguem de maneira paupérrima.
A verdade que o iniciado é chamado a buscar é a sua.
Certamente, não caímos da caçamba e não estamos aqui por acaso. A junção do espermatozóide com o óvulo que deu causa ao nosso corpo físico não foi um ato casual, nem é casual a mamãe e o papai e os nossos irmãos; eles não foram achados nalgum depósito de seres disponíveis para estarem conosco nesta jornada; e por aí vamos anotando o que mais tenha ocorrido: a formação escolhida, a profissão, o cônjuge, os filhos e até a cidade escolhida para morar...
Essa verdade é a única que roça a nossa face, ameaça aparecer atrás do véu, cobra nosso discernimento e pede passagem como as águas de uma vertente que busca o rio e do rio que busca o oceano.
Trabalhar estes conteúdos, perguntar-nos o por quê de todas as coisas, as conquistas, os solavancos, as pessoas que cruzam o caminho, os sustos, os prêmios, uma extraordinária combinação de “ss”, “rr” e “ff” para serem decifrados, entendidos, sabidos, incorporados, como parte do quebra-cabeça que é a vida é, por certo, a verdade maior a ser procurada.
Do mesmo modo que a ciência passou a entender o corpo humano quando chegou à minúscula célula e agora já está além do átomo, nós também entenderemos a vida quando encontrarmos a nossa verdade íntima.
Queres procurá-la? Amanhã tem mais.

sábado, 10 de novembro de 2012

911-Iniciar-se para a Verdade



Como se comporta um Iniciado

Nós somos seres de luz, divinos por excelência, cuja vibração deve estar nivelada com aqueles com quem convivemos para que: (a) não nos transformemos em vampiros sugadores da energia alheia, uma energia que nem sabemos o que é e o que fazer com ela, e que, no geral, pode ser a causa principal de nossos desajustes, doenças, sofrimentos e, nem (b) não nos transformemos em doadores inconscientes da energia que nos faltará para o dia-a-dia.
Temos aí, então, dois tipos de “profanos”: aquele que bebe a energia dos outros e fica de porre, sem nunca sair da ressaca e aquele que se deixa beber e padece de anemia vital. Sofrem os dois, achando que se consolam mutuamente, uns sugando e outros se deixando sugar deliberadamente ou não. Os dois precisam se tratar.
Quando usamos a expressão “profano” queremos que você entenda como coisa extra conhecimento espiritual, distante do sagrado, onde vibra apenas o bem, a beleza e a verdade. A coisa profana é uma manifestação que pode ser tratada se houver um bom encaminhamento. As casas espíritas sérias e comprometidas com a libertação das almas prisioneiras da ignorância, sabem cuidar disso.
A verdadeira cura passa por uma iniciação bem conduzida.
Nestes caminhares “profanos” não orientados, basta adicionar pensamentos impuros, bebida alcoólica, tabaco ou qualquer outra dependência química ou psíquica, como o jogo, a luxúria, a avareza, a vaidade, a gula e já estamos dentro dos identificáveis quadros obsessivos. É aqui que se enquadra novamente o exemplo dado com o Apóstolo Paulo, que “morreu” como verdugo dos cristãos e “renasceu” como apóstolo cristão. Todo o iniciado que morre para o estado velho renasce para o estado novo. Embora possa causar espanto (por puro preconceito), ao vermos nele o velho que se renovou, na verdade é o velho que morreu e já foi. Este é o novo. E se o iniciado quiser e persistir, sempre será outro, pois o velho, de fato, morreu. E ele renascerá novamente outras vezes sempre que o estágio velho se tornar ultrapassado. Isso tem nome: evolução. E aos nossos olhos ele tem de ser visto como o novo, apenas, sempre. Só é velho, inadequado, atravessado, aquele que não quer renovar-se.
Ao morrer o velho, na verdade, ele não morre de per si, ele é matado. Durante o processo iniciático ele é sufocado, minguado, exaurido e acaba por entregar-se à morte durante o ritual de iniciação – nesse caso, os ritos de passagem – que é quando, efetivamente, dá-se o nascimento do novo ser, ao menos para entidades que lidam com iniciações.
Feita a travessia, galgado o novo patamar, cabe ao iniciado, sempre e mais ainda nos primeiros tempos de seu mister sagrado, cuidar-se extremamente para não recair. Oração, contemplação, meditação, higiene mental, alimentos adequados a uma dieta não sobrecarregada de impurezas para a sua naturalidade biológica, irão melhorando constantemente o quadro energético e fortalecendo as blindagens contra vampiros encarnados e desencarnados.
Um iniciado tem de ser autônomo quanto a receber ou não receber imantação energética externa, isto é, ele só permitirá a interação com outras energias quando ele quiser. E assim fazendo, ele filtrará e só permitirá a interação em ambiente templário, com segurança mediúnica.
Outro ponto fundamental é o iniciado cuidar-se quando à sua condição de ministro de qualquer sacerdócio. Num ponto, ele não deve vangloriar-se de sua posição, porque ela sempre é transitória. Cessada a necessidade de sua dedicação nesta tarefa, ele poderá ser retirado do processo, queira ou não queira sair dele. Virá nova tarefa, é certo. Outro ponto, ele não deve sentir inveja de outro iniciado que esteja em melhor posição. A posição ocupada por A nunca será de B. Quem determina não está entre nós encarnados, isso corre por fora da vontade puramente humana.
A inveja é prima irmã da traição e é a flor venenosa que mais abunda entre os pântanos das escolas espiritualistas do mundo. A inveja costuma disfarçar-se com toga do juiz.
Devemos cultivar a sinceridade porque as flores mais belas do espírito germinam na substância da sinceridade e da humildade. Todas estas qualidades dar-nos-ão uma rica vida interior; assim preparamo-nos internamente para as grandes disciplinas que conduzirão nossa mente ao DISCERNIMENTO, onde flamejam as chamas abrasadoras do Universo, por outorga de Deus.
Capte bem, estas lições, prezado leitor. Isso será decisivo na sua caminhada como iniciado de um Novo Tempo. Isto é, depois de ter nascido para uma nova realidade e após uma passagem bem feita.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

910-Iniciar-se para a Verdade



Como se dá a Iniciação

Ainda que ao leitor lhe pareça extraordinário, às vezes está mais perto da Iniciação aquele a quem todos apontam com o dedo e acusam, do que aquele santarrão que sorri doce e candidamente diante do auditório de um templo ou casa espírita. Paulo de Tarso foi um verdugo e possivelmente autor de execuções antes do acontecimento que lhe sobreveio no Caminho para Damasco, quando a figura de Cristo se lhe apareceu cobrando razões para sua truculência contra os cristãos. A instantânea transformação desse homem surpreendeu aos santos de Jerusalém. O malvado converteu-se em profeta... Este é o Mistério do Escolhido para exemplificar uma iniciação.
Um longo período de turbulências emocionais, perturbações mentais, dores inexplicáveis, depressões causais, transtornos obsessivos, profissões que não dão certo, casamentos que se arrastam ou se desfazem, doenças renitentes, insatisfações psíquicas ou sexuais, comportamento inadequado e muito mais coisas não conhecidas e não pesquisadas aqui, podem ser sinais do chamado que não quer calar. Lembremos que Paulo foi derrubado do cavalo e estava sob intensa dor quando percebeu a doçura do terapeuta que surgira em espírito. Fora dessa circunstância Paulo não veria um santo; mais provavelmente visse um obsessor.
Todos os grandes médiuns e xamãs passam por períodos de provação. Se fracassam, sucumbem levados pelo minguar de seus estados vitais e abandonam seus corpos para fazer o retorno à Pátria Espiritual a caminho da reciclagem. Se fazem a travessia, assumem seu mister sacerdotal no que de mais sagrado possa existir o fazer de alguém perante uma comunidade. O tamanho da messe não conta. Pode ser a dedicação a uma criança abandonada, a uma creche, a um sanatório, um mandato à frente de uma instituição ou coisa ainda maior.
Obama, reeleito presidente da nação mais influente do planeta recebe a segunda chance de transformar o mundo sob sua influência. O mandatário chinês, recém conduzido ao posto tem uma missão pela frente. O planeta está sob os botões dos seus comandos e suas almas postas à prova.
Há, no entanto, as situações de menor intensidade, que não deixam de ter as mesmas conotações com que as que se revelam aos grandes médiuns, xamãs e líderes. Milhões de reencarnações vêm marcadas para o ofício do voluntariado: precisam doar-se, iluminar, servir. Não importa se eleitos por milhões de votos ou levados ao cargo por necessidade imperiosa bilateral: precisamos deles e eles precisam mostrar que podem atender. Enquanto o mister sagrado não se revela, haja perturbações, dores, doenças, sofrimentos, descaminhos, chamados, provocações. Paulo de Tarso já foi citado como exemplo, mas um muito bom exemplo.
Será que você já não foi chamado? Terá decodificado isto?
Podemos anotar com maior grau de acerto do que de erro, que a imensa maioria do voluntariado que conhecemos em muitas casas de serviços gratuitos ou não e de outras instituições similares, é formada por Escolhidos, pessoas trazidas de seus infernos vibratórios aonde muita coisa estava atravessada e que, em plena luz proporcionada pelo transtorno recebido, tiveram a iluminação, o insight, a queda da ficha, que resultou na sua continuidade já não mais como paciente, mas como alguém que embora ainda se faça ou se julgue necessitado de ajuda, não mais só quer receber, antes quer dar, completamente integrado no mister sagrado de ajudar. E, ao ajudar, liberta-se da síndrome do pedir.
Essa é uma situação que se aplica ao matrimônio, à paternidade/ maternidade, ao trabalho profissional e a muitas outras: quantas pessoas nós conhecemos que são carentes, sugam, se apropriam daquilo que o universo proporciona e são incapazes de produzir algo que possam rotular como sua obra, sua oferta, sua dádiva a este mesmo universo.
A iniciação tem início no insight, passa pelo calvário de uma preparação que não é curta, tudo à conta de um ritual de iniciação, ocasião em que o “profano”, “impuro”, “desajustado” beatifica-se, benze-se, purifica-se, ajusta-se, é sagrado e se levanta da tumba da morte (figuradamente) para uma vida de grandes compensações físicas, emocionais, psíquicas, espirituais.
Esta é a iniciação de primeiro grau. Outras virão para mudar de freqüência e subir de posto. Aqui também os chamados são tantos que ou o candidato foge e se esconde para renunciar a tudo ou faz a travessia e cruza mais esta linha na outra extremidade, sempre a caminho do cumprimento de sua missão maior. E de evolução.  
Em geral as iniciações são dolorosas. Não há vitória sem esforço. Mas, a dor do período iniciático é sempre menor que a dor do período do chamado. Para o discípulo que se encaminha com determinação, o período iniciático nada mais é que um treino, uma preparação, um adestramento, como de fato, é, mas não só. A iniciação deve conter uma iluminação, uma revelação, o erguer de um véu. A partir daquele instante é que a morte do velho se faz verdade para dar nascimento ao novo ser. O comportamento do novo denota o seu novo estágio. Esse é o tema do próximo capítulo.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

909-Iniciar-se pela Verdade



Discernir pela Verdade

Antes do repasse dos conteúdos desta postagem quero informar aos leitores que existem três blogs com extenso material já arquivado e disponível, mas para a comodidade dos leitores a partir de hoje, os três blogs (que recebem acessos de distintos públicos) passarão a publicar os mesmos textos.
Assim, se você nunca acessou um ou os dois outros blogs, os endereços dos três estão a seguir para que todos possam selecioná-los em sua barra de favoritos e efetuarem leituras em postagens que lá estão datadas de muitas ocasiões antes de hoje:
http://2012-umnovocomeco.blogspot.com
http://maioridadespiritual.blogspot.com
http://profeciasparaumnovotempo2012.blogspot.com
  
Vamos ao tema de hoje: O discernimento é a percepção direta da verdade sem o processo da deliberação conceitual. O processo da deliberação divide a mente com o batalhar das antíteses, então as imagens escondem-se como as estrelas atrás das densas nuvens dos raciocínios. Devemos aprender a pensar com o coração e a sentir com a cabeça. Neste estágio, nosso Espírito agradece e vem participar das elaborações e decisões.
Nossa mente deve se tornar delicadamente sensível. A mente deve liberar-se de todo tipo de travas culturais para compreender a vida livre em seu movimento. Nós admiramos a intrepidez. Mas, a intrepidez não pode ser apenas fruto do instinto ou da vontade fortuita, ela precisa ser fruto da vontade íntima, pois a vontade reside na consciência. E as travas culturais são literalmente portas fechadas ao nosso crescimento.
Os desejos, no geral como produtos do instinto, são travas para a mente. Os prejulgamentos e preconceitos, em geral, são produtos da cultura e travas para o entendimento. As escolas, no geral, por ensinarem o que a sociedade quer dos cidadãos, são gaiolas onde a mente fica prisioneira a conceitos e paradigmas. Devemos aprender a viver sempre no eterno presente porque a vida é um instante sempre eterno. Nossa mente deve converter-se num instrumento flexível para o Íntimo. Nossa mente deve se tornar criança. E nosso coração deve se tornar adulto, chegar à maioridade.
O terceiro componente desta teia é o espírito. Dele podemos sempre esperar o melhor. Mas a ele nem sempre oferecemos o nosso melhor. Por que isso acontece? Por desconhecermos aquilo que o espírito espera de nós. E quando dizemos “nós”, estamos nos referindo à mente, àquela vontade sempre instintiva, ao instinto do ser mortal, desta parte corporal, que será consumida pela natureza de onde veio.
Para estabelecer um diálogo com o espírito (que nos tem), existem dois caminhos: um deles é dormindo, quando a mente terrena é submersa da consciência que ela tem de si mesma e da consciência do corpo, que ela, em parte comanda; o outro caminho é através de um longo treinamento, que é a meditação. A primeira hipótese se faz dormindo, de preferência sem ingerência de soníferos ou bebida alcoólica. Na segunda hipótese, o treinamento geralmente começa com a oração raciocinada (nossa conversa com o sagrado que respeitamos), se amplia pela contemplação (que venera o sagrado que está fora de nós) e irá aprofundar-se (quando nos conectamos ao sagrado que está no nosso íntimo). Em geral, levamos anos treinando a mente para meditar, sossegando a mente para meditar. Ela, a mente, comporta-se como um macaquinho indócil dificilmente fazendo uma parada serena, imóvel. E o meditador precisa apagar o passado (lembranças) e não imaginar o futuro (projeções ou preocupações). Neste hiato de imobilidade a mente consegue atravessar o limite puramente material e descortinar o “espaço” consciencial, entendido este como a mente do espírito.
Durante as práticas de meditação interna, devemos estar no mais completo repouso interior porque as agitações mentais, qualquer atitude de impaciência, turvam a mente, desviam as percepções e impedem a percepção das imagens do interior.
No mundo físico, qualquer atividade é acompanhada do movimento de nossas mãos, pernas etc., mas, nos mundos internos, precisamos do mais profundo repouso, da calma mais absoluta, para receber as imagens internas que vêm à mente como uma graça... Como uma bênção. Quando sonhamos dormindo, é isso que acontece. Meditar é sonhar acordado.
É indispensável que nossos leitores cultivem a bela qualidade da veneração como iniciação do processo. Devemos venerar profundamente todas as coisas sagradas e divinas, mesmo em se tratando de nosso próprio corpo. Devemos venerar profundamente as obras do Autor Maior. Devemos venerar profundamente aos Mestres e Mentores da Espiritualidade. O respeito e a veneração abrem para nós as portas dos mundos superiores.
Nunca devemos supor que os mundos superiores descem aonde estamos. É a nossa consciência imaginativa que sobe até eles. Se as freqüências combinarem, sintonizamos.
Não devemos ter preferências preconcebidas por nada e ninguém. Não devemos ficar preferindo conexões com este ou aquele guia, anjo ou santo. Aquelas imagens ou símbolos que nos sejam recomendados aparecerão espontaneamente, segundo nossa capacidade de “entender o que se passa” e também segundo o nosso mérito.
Devemos cultivar a cortesia e atender igualmente tanto ao rico como ao pobre, ao aristocrata como ao rústico; sem preferências para ninguém. Isso vale cá na terra e lá nos céus.
Devemos cultivar a paciência e a previsão. As formigas e as abelhas são pacientes e previdentes. Devemos aprender a ser indiferentes diante do ouro e das riquezas. Devemos aprender a apreciar mais a doutrina do coração. Aquele que despreza a doutrina do coração para seguir a doutrina do olho (teorias, escolas, cultura livresca etc.) não chegará jamais às grandes realizações espirituais.
Temos de aprender a discernir o bom do mau e o mau do bom. Em todo o bom há algo de mau; em todo mau há algo de bom. Nunca imagine que seu guia ou mentor seja “alguém” do nível hierárquico de Jesus. Seu guia ou mentor também pode errar, também pode decepcionar. Isso vale para as pessoas nas quais você deposita confiança e admira. Elas poderão cometer falhas. Entenda isso, faça disso um ato de grandeza, pois você já está à altura de ver estas coisas.
Os estados elevados de consciência passam pela iniciação. Nada acontece por acaso. Para chegar às conexões – sejam elas quais forem – cada um de nós precisa ser iniciado.
É o assunto do próximo capítulo.