sábado, 7 de abril de 2012

Aleluia?


60. Uma difícil e penosa passagem

Aleluia coisa nenhuma. Ninguém tem nada para festejar, o Mestre Jesus continua pregado na cruz, seus algozes continuam a berrar “crucifica-o!, crucifica-o!” e o cortejo segue já não mais Gólgota acima, mas sim montanha abaixo, no rumo do brejo.
Aproveitando este sábado de Aleluia da tradição de algumas igrejas, queremos avançar e saltar fora dos quadrados limitantes do pensamento religioso. Nada é mais aprisionante do que os dogmas e as tradições. E infelizmente as religiões mais populares não têm outra mensagem que não se estruture em dogma e tradição.
Toda motivação da Páscoa não é no sentido de atravessar de uma margem para a outra como é a razão de ser mais velha dessa efeméride: sair da margem escrava para a margem liberta. É isso que a tradição judaica inscreve nos seus livros sagrados e é isso que o cristianismo foi buscar para associar com a passagem de Jesus da condição de condenado pela Justiça Romana para a condição de Deus dos romanos.
Quanta coisa confusa para a cabeça dos seres mais pensantes.
Importa notar que não se incentiva a libertação que Jesus sugeriu, ensina-se o consumismo que desvia o pensamento do foco libertador.
Até o comedimento alimentar ou jejum centrado no sofrimento de Jesus está alterado para um banquete, uma festa regada a vinhos, celebrando a morte de um “sujeito indesejado”, executado numa sexta-feira. Trás para a cena não os desdobramentos deste episódio, mas o réu crucificado e o coelho que bota ovo.
Nenhum dos responsáveis principais pela difusão do evangelho de Jesus e, consequentemente, pela condução das almas de bilhões de seres humanos, fala das circunstâncias em que Jesus padeceu uma condenação sem ser réu. Tentam convencer a humanidade cristã que aquilo foi uma imolação para zerar os pecados todos da humanidade, mas todos os indultados continuaram como antes sem nenhuma evolução transformante. O mundo ficou igual, pior e mais refinado na maldade e na falta de ética. Quem realmente não queria modificar-se, aproveitou a conta zerada para fazer pior na fiança de que o salvador que salvou uma vez salvará novamente.
Parece que nos rejubilamos com a figura crística pregada na cruz, exibida como troféu: “viu, o homem foi morto, ei-lo aqui pregado, surrado, cuspido!!!”
De que adiantou a mensagem desse grande avatar?
Os coelhos ovíparos enxovalham a sua imagem e os seus representantes não entenderam o recado.
Jamais poderão dizer que a mídia é responsável pela invasão dos coelhos porque se de dentro dos templos partissem exortações no sentido de que o que está em questão é o ser humano e não a festa, os canais de mídia iriam mudar a prática, o foco.
Fica o registro para você, leitor, meditar um pouquinho nesta aleluia mergulhada na pompa das igrejas e no banho de sangue que nossos líderes gostam de incentivar.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Não se preocupe, colabore


59. Você saberá como fazer

Eu sei, você lê as mensagens que são aqui postadas e pensa: muita coisa está correta, alguma coisa não. Você não fala sobre isso com outras pessoas por achar que isso “é coisa de louco”. Talvez não tanto assim, mas um pouco, sim.
E quando pedimos que você abra a porta e vá a luta e conquiste mais pessoas para este movimento, você desiste e murcha.
Temos problemas.
O problema não é do Sol, nem da janela. O problema está no ato de não abrir a porta ou a janela. A luz do dia chega e você percebe que lá fora está claro, mas ainda não abriu a janela ou porta para a claridade maior penetrar.
O Sol e/ou a janela/porta não são a questão. Entende?
É necessário, também, saber como nos apresentamos para a luz. Nossos olhos no escuro se dilatam muito e uma luz intensa e repentina pode ser prejudicial.
Nossa recomendação é que você abra de devagar. Mas, abra. A cada dois meses retome a leitura das postagens anteriores e vá dando espaço para que a luz chegue.
Tem mais.
Aquelas pessoas que você encontra na rua e lhe parecem conhecidas, não tem? Seus olhares se tocam e você tem um impulso: “De onde a conheço?”
Você não a conhece. E isso não é coisa de louco. Não precisa ficar escarafunchando a memória a procura do registro. Aquela pessoa está na sua freqüência espiritual e vocês se comunicam em oração, em pensamento, em meditação, em sonhos...
Esta pessoa e muitas outras, como você, também, são membros de uma corrente que se forma no planeta.
Também pode acontecer de você olhar para alguém e sentir medo ou repulsa. Tudo natural. Trata-se de alguém do outro time. Mas, deixemos de fora o outro time. É cedo para mexer nisso.
Há um comando, muito forte, colocando em sintonia as mentes que liderarão a transformação das egrégoras terrestres. Nós fazemos parte deste time.
Todos aqueles olhares de gente que “parece conhecida”, são energias de freqüências simpáticas cuja tipagem se dá longe de nosso controle em parte provocada por um comando alhures e em parte pela nossa disposição de abrir a antena.
Chegará o dia em que nos convidarão para uma mentalização simultânea em todo o planeta. Haverá um horário-chave e pelo fuso todos os membros ao redor do planeta estarão fazendo mentalização no mesmo horário.
Você já imaginou um bilhão de mentes concentradas, por exemplo, na paz?
Fique alerta, nós estaremos atentos para que você receba o convite e se ofereça para estas concentrações.
Ah, e não se esqueça de abrir a janela, isto é, de expandir a antena para a luz, isto é, para a vibração, entrar.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Vá se convencendo

58. Há uma conspiração espiritual

Na superfície da terra exatamente agora há guerra e violência e tudo parece escuro.
Mas, simultaneamente, algo silencioso, calmo e oculto está acontecendo e certas pessoas estão sendo chamadas por uma luz mais elevada.
Uma revolução silenciosa está se instalando de dentro para fora. De baixo para cima.
É uma operação global. Uma conspiração espiritual.
Há células dessa operação em cada nação do planeta.
Vocês não vão nos assistir na TV. Nem ler sobre nós nos jornais. Nem ouvir nossas palavras nos rádios.
Não buscamos a glória. Não usamos uniformes.
Nós chegamos em diversas formas e tamanhos diferentes. Temos costumes e cores diferentes.
A maioria trabalha anonimamente. Silenciosamente, trabalhamos fora de cena. Em cada cultura do mundo.
Nas grandes e pequenas cidades, nas montanhas e vales. Nas fazendas, vilas, tribos e ilhas remotas.
Você talvez cruze conosco nas ruas. E nem perceba…
Seguimos disfarçados. Ficamos atrás da cena.
E não nos importamos com quem ganha os louros do resultado, e sim, que se realize o trabalho.
De vez em quando nos encontramos pelas ruas. Trocamos olhares de
reconhecimento e seguimos nosso caminho.
Durante o dia muitos se disfarçam em seus empregos normais. Mas à
noite, por atrás de nossas aparências, o verdadeiro trabalho se inicia.
Alguns nos chamam do Exército da Consciência.
Lentamente estamos construindo um novo mundo.
Com o poder de nossos corações e mentes.
Seguimos com alegria e paixão.
Nossas ordens nos chegam da Inteligência Espiritual Central.
Estamos jogando bombas suaves de amor sem que ninguém note; poemas, abraços, músicas, fotos, filmes, palavras carinhosas, meditações e preces, danças, ativismo social, sites, blogs, atos de bondade, mensagens animadas pela Internet…
Expressamos-nos de uma forma única e pessoal com nossos talentos e dons.
Esta é a mudança que queremos ver no mundo. Essa é a força que move
nossos corações.
Sabemos que essa é a única forma de conseguir realizar a transformação.
Sabemos que no silêncio e humildade temos o poder de todos os oceanos juntos.
Nosso trabalho é lento e meticuloso.
Como na erosão das montanhas.
O amor será a religião do milênio. Sem pré-requisitos de grau de educação.
Sem requisitar um conhecimento excepcional para sua compreensão. Pois nasce da inteligência do coração. Escondida pela eternidade no pulso evolucionário de todo ser humano.
Seja a mudança que quer ver acontecer no mundo. Ninguém pode fazer esse trabalho por você.
Nós estamos recrutando. Talvez você se junte a nós. Ou talvez já tenha se unido a nós.
Todos são bem-vindos.
A porta está aberta.
Venha!!!
(anônimo)

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Continuidade de "uma visão espírita"


57. São chegados os tempos? (II)

Jorge Luiz Hessen *

A Terra está entrando em uma fase de transição para Mundo de regeneração, obedecendo às leis naturais de evolução. Mensagens da espiritualidade que nos vêm sendo transmitidas no movimento espírita, desde o final do Século XX, têm confirmado tal fato, e o homem não há como vetar os Decretos de Deus.
Percebe-se que, atualmente, tudo está se transformando muito rapidamente, trazendo mais conforto e melhor qualidade de vida ao habitante da Terra. A dor física está, relativamente, sob controle; a longevidade ampliada; a automação da vida material está cada vez maior, em face da tecnologia fascinante, especialmente na área da comunicação e informática. Quando poderíamos imaginar, por exemplo, há 50 anos, o potencial da Internet?
Já no Século XIX, Kardec asseverava que: "A Humanidade tem realizado, até o presente, incontestáveis progressos. Os homens, com a sua inteligência, chegaram a resultados que jamais haviam alcançado, sob o ponto de vista das ciências, das artes e do bem-estar material".(6)
Neste Século XXI, o Planeta passa por um processo acelerado de transformação. É com muito otimismo que percebemos, no tecido social contemporâneo, a gestação de vários investimentos, envolvendo cientistas, filósofos, religiosos e educadores que se inclinam para a formulação de um mundo renovado. Busca-se um novo conceito do homem e um novo ideal de sociedade, alicerçados em paradigmas revolucionários da Nova Física.
Se atentarmos apenas para a Informática e para a Medicina, enquanto fatores de progresso humanos a benefício de toda a Humanidade, perceberemos que Deus autorizou aos Espíritos Protetores fazerem aportar, na Terra, os admiráveis avanços científicos que alcançamos.
"O Espiritismo, na sua missão de Consolador, é o amparo do mundo neste século de declives da sua História; só ele pode, na sua feição de Cristianismo redivivo, salvar as religiões que se apagam entre os choques da força e da ambição, do egoísmo e do domínio, apontando ao homem os seus verdadeiros caminhos. No seu manancial de esclarecimentos, poder-se-á beber a linfa cristalina das verdades consoladoras do Céu, preparando-se as almas para a nova era".(7)
A transição de uma categoria de mundo, para outra, não se processa sem abalos, pois toda mudança gera conflitos. Há um momento em que o antigo e o novo se confrontam, estabelecendo a desordem e uma aparência de caos. "(...) a vulgarização universal do Espiritismo dará em resultado, necessariamente, uma elevação sensível do nível moral da atualidade".(8)
Fugindo-se da paranóia de datação do advento do Mundo de Regeneração, se quisermos atuar verdadeiramente, auxiliando o advento de um mundo melhor, tratemos de trabalhar incansavelmente pela divulgação das idéias espíritas, corrigindo as distorções (facilmente observadas) no rumo do movimento que abraçamos, a fim de que os condicionamentos adquiridos em outros arraiais religiosos não venham a contaminar nossa ação, pela também intromissão de atitudes dogmáticas e intolerantes.
"Não é possível esperar a chegada do mundo de regeneração de braços cruzados. Até porque, sem os devidos méritos evolutivos, boa parte de nós deverá retornar a esse mundo pelas portas da reencarnação. Se ainda quisermos encontrar aqui estoques razoáveis de água doce, ar puro, terra fértil, menos lixo e um clima estável - se os flagelos previstos pela queima crescente de petróleo, gás e carvão que agravam o efeito estufa - deveremos agir agora, sem perda de tempo".(9)
Para habitarmos um mundo regenerado, mister se faz que o mereçamos. Para tanto, urge que pratiquemos a caridade, não restrita apenas à esmola, mas que abranja todas as relações com os nossos semelhantes. Assim, perceberemos que a caridade é um ato de relação (doação total) para com os nossos semelhantes. Desta forma, estaremos atendendo ao chamamento do Cristo, quando disse: "Amarás o senhor teu Deus de todo o coração, de toda a tua alma e de todo o teu espírito; este é o maior e o primeiro mandamento. E aqui tendes o segundo, semelhante a esse: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. - Toda a lei e os profetas se acham contidos nesses dois mandamentos".(10) 
FONTES
(1) Kardec, Allan. A Gênese, RJ: Ed FEB, 2004, Sinais dos Tempos - 4ª pte.(itens 21 a 26) (Estudo 131 e 132)
(2) Cf. Jornal o Imortal publicado em outubro de 2006
(3) ______ Allan. A Gênese, RJ: Ed FEB, 2004, Sinais dos Tempos - 4ª pte.(itens 21 a 26) (Estudo 131 e 132)
(4) Idem
(5) Xavier, Francisco Cândido. A Caminho da Luz, RJ: Ed FEB 1987
(6) Kardec, Allan. A Gênese, RJ: Ed FEB, 2004, cap XVII, item 5
(7) Xavier, Francisco Cândido. A Caminho da Luz, RJ: Ed FEB 1987
(8) Kardec, Allan. Obras Póstumas, 26ª Ed RJ, FEB 1978. As Aristocracias
(9) Matéria publicada no Boletim SEI - Serviço Espírita de Informações 30/04/05
(10) Cf. Mateus, 22, 34-40
* Jorge Luiz Hessen é natural do Rio de Janeiro, nascido em 18/08/1951. É Servidor Público Federal lotado no INMETRO de Brasília; Formação acadêmica: Licenciado em Estudos Sociais e Bacharel em História, Escritor (dois livros publicados) Jornalista e articulista com vários artigos publicados na Revista O médium de Juiz de Fora, Reformador da FEB, O Espírita de Brasília (pertence ao conselho editor), do Jornal da Federação de Mato Grosso e do Jornal da FEDERAÇÃO DO DF.
Artigo encontrado publicado no site do Instituto Espírita Batuíra de Saúde Mental. Mais artigos podem ser acessados no site http://meuwebsite.com.br/jorgehessen.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Uma visão espírita


56. São chegados os tempos? (I)

Jorge Luiz Hessen

São chegados os tempos? Para os que em nada crêem, essas palavras não têm qualquer legitimidade e não lhes toca a consciência. Para a maioria dos crentes, elas apresentam qualquer coisa de místico e de sobrenatural, prenunciadoras da subversão das leis da Natureza. Para Kardec, as duas posições são errôneas: "a primeira, porque envolve uma negação da Providência; a segunda, porque tais palavras não anunciam a perturbação das leis da Natureza, mas o cumprimento dessas leis".(1)
Inteligentemente consignado no Jornal O Imortal por Astolfo Olegário "O futuro a Deus pertence e nem mesmo Jesus se atreveu a precisá-lo. (...) "O advento do mundo de regeneração não se dá nem se completa em pouco tempo. Que a transição de planeta de provas e expiações para regeneração já começou, não padece dúvida. Na Revista Espírita há inúmeras informações que o atestam. O equívoco é datar, é precisar, é fixar uma época em que tal processo estará concluído". (2)
A rigor, todas as leis da Natureza são obras eternas do Criador, não de uma vontade acidental e caprichosa, mas de uma vontade imutável. "Quando a Humanidade está madura para subir um degrau, pode dizer-se que são chegados os tempos marcados por Deus."(3) A Terceira Revelação não inventa a renovação social; "a madureza da Humanidade é que fará dessa renovação uma necessidade. Pelo seu poder moralizador, por suas tendências progressistas, pela amplitude de suas vistas, pela generalidade das questões que abrange, o Espiritismo é mais apto do que qualquer outra doutrina, a secundar o movimento de regeneração; por isso, é ele contemporâneo desse movimento".(4)
A evolução dos mundos habitados ocorre no mesmo ritmo da dos seres que habitam em cada um deles. Os mundos habitados, segundo o Espiritismo, podem ser classificados como: Mundos primitivos, destinados às primeiras encarnações do Espírito; Mundos de expiação e provas, onde domina o mal entre os Espíritos; Mundos de regeneração, nos quais os Espíritos ainda têm o que expiar; Mundos ditosos, onde o bem sobrepuja o mal e os Mundos celestes ou divinos, onde exclusivamente reina o bem.
Na condição de expiação e provas, a Terra viveu "Época de lutas amargas, desde os primeiros anos deste século,(*) a guerra se aninhou com caráter permanente em quase todas as regiões do planeta. A Liga das Nações, o Tratado de Versalhes, bem como todos os pactos de segurança da paz, não têm sido senão fenômenos da própria guerra, que somente terminarão com o apogeu dessas lutas fratricidas, no processo de seleção final das expressões espirituais da vida terrestre".(5). O Século XX, recentemente findo, foi, sem dúvida, o século mais sangrento de todos. Após a Segunda Guerra Mundial, já tivemos 160 conflitos bélicos e 40 milhões de mortos. Se contabilizarmos desde 1914, estes números sobem para 401 guerras e 187 milhões de mortos, aproximadamente.
Apesar de terroristas agirem em toda parte, tropas se confrontarem em muitas regiões, a economia se descontrolar, sistemas e valores entrarem em colapso, instituições tradicionais como a Igreja e a Família serem violentamente abaladas, teóricos pregarem o fim da História, não faltam as vozes otimistas que apregoam um porvir renovado sob a luz de uma nova era.
Não há como se desconhecer a violência que assola a Humanidade terrestre. Ela está presente no trânsito, destruindo vidas e mutilando corpos; na prostituição infanto-juvenil, sob o assédio dos malfeitores; na polícia, subvertendo suas obrigações patrióticas de proteger e auxiliar o povo, por interesses pessoais e mesquinhos; nas drogas, levando os jovens à dependência dessas substâncias alucinógenas; nas religiões, onde fanáticos insanos lutam e se aniquilam, disputando qual o "deus" mais forte e mais poderoso; no lar, pela intolerância dos pais para com os filhos e vice-versa, dispensando o diálogo fraterno, que, se houvesse, faria de suas vidas uma tranqüila experiência de coabitar com amor.
Percebemos que há um grande número de pessoas aderindo às sugestões do mal, por simples ignorância. Estas, serão renovadas no desdobramento de suas experiências, particularmente com a magna dor, em reencarnações regeneradoras. O problema maior está com aqueles em que o mal predomina nas entranhas de seus corações, o que constitui uma minoria. Estes, pela lei da seleção natural dos valores morais, serão expurgados do nosso convívio, assim que houver chegado a hora.
Temos a impressão de que os atos violentos, praticados por mentes insanas, banalizam-se no curso do tempo, mas, apesar de essa violência sufocar, confundir, assustar e cercear o homem na sua liberdade de ir e vir, nunca se assistiu, em todos os tempos, tantas pessoas boas e pacíficas, mobilizarem-se em prol de programas assistenciais aos irmãos menos afortunados, trabalhando voluntariamente por um mundo melhor e mais justo e com total desprendimento e espírito cristão.
É claro que não podemos desconsiderar os perigos reais que nos cercam: desastres nucleares; o buraco na camada de ozônio; o desmatamento desordenado de nossas florestas; a poluição das nossas límpidas águas, etc., mas se olharmos o momento em que vivemos sob a ótica da revelação espírita, teremos motivos suficientes para crer que o desespero e desesperança, conseqüentes do pessimismo que prevalece atualmente entre os homens, precisam ser substituídos pela ação eficaz.
(*) Emmanuel faz referência ao Século XX 

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Faltou falar dela...

55. A Escola que temos

No seu mais profundo íntimo, como indivíduo isolado ou apenas familiar, o homem sempre demonstrou suas tendências virtuosas. Em grupo, em clã ou sociedade, sempre preferiu ou foi levado a ignorar essas tendências em troca de um prêmio menor em virtude e maior em vícios.
O homem agrupado parece ignorar a dimensão sagrada em busca de um mistério menor, de uma existência com foco na aquisição de poder, riqueza, prazer e luxo. Com egocêntrica finalidade. Ele disputa isso dentro do próprio grupo e também se une ao grupo para combater outros grupos pelos mesmos motivos.
A caminho do TER e desviados do SER, fizemos da escola, não a matriz de uma cultura evolutiva, como deve ser o seu papel, e ela muito contribuiu como grande formadora de inteligência e mão de obra para o mercado. Para o mercado, não para a vida. Fundamentamos o mercado na criação de objetos com conceito de poder, riqueza, prazer e luxo, para a abundância do TER e para a escassez do SER.
Não se quer condenar algozes e consolar vítimas de um processo cultural permeado de vícios, desvios, tiranias e avanços materiais. As sociedades ou etnias mais retrógradas bem como as mais evoluídas, para os padrões da cultura dominante, aprisionadas aos limites bíblicos, dogmáticos, científicos e constitucionais, foram levadas a constituir antíteses em tudo, abrindo o campo para que o lobo mau (Abraxas) da cátedra junguiana, pudesse emergir construindo a dualidade a partir das correlações feio-bonito, nobre-plebeu, crente-incrédulo, batizado-pagão, sagrado- profano, salvo-condenado, imperfeito-perfeito, lobo bom/lobo mau.
Todas as instituições destinadas a preparar o homem para a vida, posicionaram-se definitivamente num dos extremos duais (e não na construção da síntese) desta escala. Foi o que fizeram a família, a escola e as religiões. Contribuíram para o fracasso da idéia de libertação. Contentaram-se em apresentar aos homens uma caricatura de um Deus que se revelaria aos homens. Frearam as transformações evolutivas ao limitar a consciência dos seus fiéis e ao patrocinar a barbárie contra hereges e infiéis no contraponto da licenciosidade tolerada aos fiéis. Acabaram por prejudicar os dois lados.
Não sabemos a senha, perdemos a palavra de passe. Mas, há indicações. São os veementes apelos dos mestres do conhecimento libertador. Num deles há uma charada: “Conhece-te a ti mesmo, derrota o teu ego, funde-o com tua essência e SERÁS a criatura esperada a Oriente do Jardim do Éden”, onde “querubins armados de espadas flamejantes guardam o Caminho da Árvore da Vida”.
Alegoricamente, esta pode ser a Grande Passagem, Pessach ou Páscoa, uma Eureka ou Descoberta: estará perante estes querubins o homem, quando evoluído, dignificado perante si próprio e em relação a tudo mais, e souber e puder subir a escada e pronunciar a senha contendo a palavra perdida. Com muita certeza terá feito a sua reconversão como construtor, como colaborador, como aliado da obra que dá sustentação à Árvore da Vida e não a antítese dela, como conhecemos e lamentamos. Sairá da posição de Anjo Caído, que prefere contrapor-se ao Mestre dos Mundos e será promovido, enfim, a Anjo Recuperado.
O Homem terá completado sua trajetória na condição humana quando, segundo alguns pensadores, seu ego estiver fundido à dimensão espiritual, e não dual, isto é, quando completar o caminho de volta, como sugere o trecho já grifado, entre aspas. As seis principais correntes de fé do planeta, por diferentes concepções, pregam isso, mas preferem interpretar diferente, atribuindo a forças externas o desvio e o resgate. E o Retorno ao Oriente Sagrado certamente com algum atraso, poderá ter início.
A contagem de tempo decorrido e a espantosa evolução biológica e tecnológica não nos autorizam a celebrar nada. Somos crianças brigando por um brinquedo que machuca. Mas, a adolescência, a juventude e a maioridade estão à espera. Nem sabemos, verdadeiramente, em que altura da caminhada estamos. Há que reconhecer: nem mesmo conhecemos os critérios para definir nossa maioridade.
Importa que o interesse por desvendar do mistério, ainda que desviado do foco, nunca desapareceu. Para os “fora de foco” isso se chama revelação. Para os “dentro do foco” isso tem nome de hierofania: esforço por descobrir a senha que permita o acesso aos segredos sagrados e a proximidade com Deus.
“Buscai e achareis. Pedi e dar-se-vos-á. Batei e abrir-se-sevos-á”. Eis aí porque a hierofania, arte-ciência esotérica da busca do caminho sagrado ganha importância e dá muitos sinais de que nosso mergulho nas sendas do desconhecido deve prosseguir. Os resultados podem ser alvissareiros.

domingo, 1 de abril de 2012

Algo está acontecendo...


54. Esporo ou expurgo?

Identificando

As bases de quase tudo, do ponto de vista de religioso, nos últimos séculos, passam por dois personagens: Santo Agostinho (354-430) e São Tomás de Aquino (1227-1274). Foram, respectivamente, os maiores pensadores da Patrística e da Escolástica. Santo Agostinho valeu-se da filosofia de Platão, enquanto Santo Tomás de Aquino da de Aristóteles. Com isso, cada qual, em sua época, pôde influenciar não só a religião católica como muitos pensadores cristãos que lhes sucederam.
Tanto Santo Agostinho como Santo Tomás de Aquino afirmam que Deus, sendo eterno, transcendente, todo bondade e todo sabedoria, criou a matéria do nada e, depois, tudo o que existe no universo. Para Santo Agostinho, as idéias ou formas estavam no Espírito de Deus. Santo Tomás de Aquino acrescenta a noção dos universais em seus raciocínios. Dizia que Deus é a causa da matéria e dos universais. Além disso, Deus está continuamente criando o mundo ao unir universais e matéria para produzir novos objetos.
Nenhum deles colocava em dúvida a imortalidade da alma. Santo Agostinho dizia que alma e corpo são distintos, mas não soube explicar como a alma se liga ao corpo. De acordo com Santo Tomás, a alma humana — princípio imaterial, espiritual e vital do corpo — foi criada por Deus. Acreditava que a alma espiritual é agregada ao corpo por ocasião do nascimento, e continua a existir depois da morte do corpo, formando, pois, por si mesma, um novo corpo, um corpo espiritual, por meio do qual atua por toda a eternidade.
Em suas teorias, reportam ao "desprezo do mundo". Contudo, Santo Agostinho mostra-se incapaz de decidir entre o mundo e desprezo por ele. A despeito dessa dúvida, apega-se firmemente à idéia de que a Igreja, como a encarnação mundana da cidade de Deus, deve ter supremacia sobre o Estado. Santo Tomás de Aquino, da mesma forma que Aristóteles, doutrinava que o homem é naturalmente um ser político e procura estar em sociedade. Este homem deve tributar lealdade à Igreja e a Deus, mas tem, também, que obedecer ao Estado porquanto este, por sua vez, recebeu o seu poder da Igreja.
Fé, Razão e Revelação são os pontos fundamentais de suas teorias. Santo Agostinho demonstra claramente sua vocação filosófica na medida em que, ao lado da fé na revelação, deseja ardentemente penetrar e compreender com a razão o conteúdo da mesma. Santo Tomás consegue, por seu turno, estabelecer o perfeito equilíbrio nas relações entre a Fé e a Razão, a teologia e a filosofia, distinguindo-as, mas não as separando necessariamente. Ambas, com efeito, podem tratar do mesmo objeto: Deus, por exemplo. Contudo, a filosofia utiliza as luzes da razão natural, ao passo que a teologia se vale das luzes da razão divina manifestada na revelação.
Fiquemos com o lado bom de seus raciocínios, ou seja, a crença num Deus único, causa primária de todas as coisas. Refutemos, porém, a supremacia que deram à Igreja, considerando-a como a monopolizadora da revelação de Deus.
Fonte de Consulta
FROST JR., S. E. Ensinamentos Básicos dos Grandes Filósofos. São Paulo, Cultrix.

Genealogia da Ética

Desde que o homem teve de viver em conjunto com outros homens, as normas de comportamento moral têm sido necessárias para o bem-estar do grupo. Muitas destas normas eram extraídas das religiões existentes, que cheias de dogmas e tabus impunham uma dose de irracionalidade ao valor moral. Mesmo entre os chineses, que não possuíam uma religião organizada, havia muitas normas esotéricas de comportamento ético.
A especulação exotérica começa somente com o pensamento grego. Sócrates, Platão e Aristóteles são os seus principais representantes. Sócrates dizia que a virtude é conhecimento; e o vício, é o resultado da ignorância. Então, de acordo com Sócrates, somente a educação pode tornar o homem moralizado. Platão estabelece que a vida ética é gradativamente mais elevada pela adequação desta às idéias (eide) superiores, análogas à forma do bem. Aristóteles deu à ética bases seguras. Dizia que o fim do homem é a felicidade temporal da vida de conformidade com a razão, e que a virtude é o caminho dessa felicidade, e esta implica, fundamentalmente, em liberdade.
Na Idade Média, os valores éticos são condicionados pela religião cristã, especificamente o Catolicismo. A Patrística e a Escolástica são os seus representantes. Nesse período, dá-se ênfase à revelação dos livros sagrados. O Pai, o Filho e o Espírito Santo determinam as normas de conduta. Jesus, que é filho e Deus ao mesmo tempo, torna-se o grande arauto de uma nova ética, a ética do amor ao próximo. Porém, essa ética é conspurcada pelos juízos de valores de seus representantes, que distorcem a pureza do cristianismo primitivo.
As exortações católicas mantiveram-se por longos anos. Contudo, no século XVI começou a sofrer a pressão do Protestantismo, ou seja, a reação de algumas Igrejas às determinações da Igreja de Roma. Para os protestantes, a ética não é baseada na revelação, mas nos valores éticos, examinados e procurados de per si. A revelação religiosa pertence à religião. O filósofo ético deve procurar os fundamentos ontológicos dessa disciplina, tão longe quanto lhe seja possível alcançar.
Kant, o quebra tudo, surge nesse contexto. Para Kant a Ética é autônoma e não heterônoma, isto é, a lei é ditada pela própria consciência moral e não por qualquer instância alheia ao Eu. Como vemos, Kant dá prosseguimento à construção da própria moral. Não espera algo de fora. Aquilo que o homem procura está dentro dele mesmo. Muitos são os filósofos que seguiram Kant. Depois destes, surgem Scheller, Müller, Ortega y Gasset etc., que penetram na ética axiológica, ou seja, estuda a ética do ângulo dos valores.
A Ética é especulação dos valores. Não resta dúvida que esse esforço histórico muito nos auxiliará numa melhor compreensão da moral e dos sentidos nela incorporados.
Fonte de Consulta
SANTOS, M. F. dos. Dicionário de Filosofia e Ciências Culturais. 3. ed., São Paulo, Maltese, 1965.

Ética: resultado de Valores

Nos artigos 51, 52 e 53, anteriores, sobre a família, assunto retomado agora, incluindo, necessariamente, e acrescendo, o fator RELIGIÃO, há que dizer: família, religião e escola é o tripé da educação que forçosamente desemboca na moral (valores) e na ética (normas).
Como você leu (53), no seio de um grande número de famílias a moral está mudada, os valores são outros, a ética é outra.
Durante séculos, as religiões ocidentais, predominantemente a católica, acenou a revelação como caminho de conhecimento da verdade. “A teologia se vale das luzes da razão divina manifestada na revelação”, mas a religião não ensinou e não ensina como se chega à revelação. Apagaram os profetas e não disseram quem faria a revelação. Sem um rumo, sem uma bússola, fomos cada um para um lado. Assim não chegaremos a lugar nenhum. Como não chegamos.
Melhor dizendo, uns poucos, dentre nós, escolheram caminhos menos inseguros e optaram por buscar ao invés de ficar esperando a revelação. Estamos, aqui neste blog, caminhando, perseguindo e tentando alcançar o conhecimento e não ficar apenas sentados à espera de que o espírito divino revele-se para nós.
Como a revelação não veio ou não soubemos entendê-la, ficamos no escuro, perdidos, desorientados e, na maior das vezes, reféns de padres e pastores.
Vimos aqui, então, que duas das três pernas da realização humana pela educação, pela moral e pela ética, estão quebradas: família e igreja faliram. Num tripé, duas pernas quebradas quebram o resto. A terceira perna (quebrada) é a escola.
E a escola?
O que ensina a escola, desde que o professor foi desautorizado corrigir destemperos comportamentais dos alunos?
Tudo bem, um professor de má qualidade pessoal não deve, mesmo, corrigir ninguém.
Mas, quem autorizou o Estado a colocar em sala de aula um medíocre? Reduziu-lhe os ganhos e restringiu-lhe os poderes e passou a contar com um mestre sem mestrado, um professor sem cátedra.
A escola se fez monótona e o homem um estúpido.
A família que não prezou educar seus guris imaginando que a escola o fizesse, ficou na rua amargura. E a igreja que não investiu na maioridade espiritual de seus fiéis perdeu-os para os desregramentos todos, que assustam os poucos que ainda se mantém puros e sinceros.
Se você concordar, a charada está morta.
O processo desmoronou moralmente, eticamente, comportamentalmente, por falta de pais, mães, sacerdotes e professores.
O que se poderia esperar da civilização que aí está?

Esporo ou expurgo?

Agora, então, já podemos retomar a proposta (54) de abordar esporo ou expurgo.
Esporo é aquela prática (entre outras) de retirar da colméia o enxame excedente, pronto para alçar vôo. A matriz manda para a vida com autonomia a filial que já está pronta. Existe até uma teoria econômica com o nome do “esporismo”, completamente contrária à formação de cartéis empresariais. Isso, é esporo. Expurgo é aquela prática de expulsar de um organismo aquilo que o deturpa, prejudica, enfraquece, destoa.
Estou de volta à cátedra de Jesus e utilizo de todos os valores consagrados no cristianismo primacial para afirmar: Jesus, como governante deste planeta, segundo se diz, estaria optando pelo esporo ou pelo expurgo?
Aquelas levas espirituais que estão indo embora consumidas pelos crimes, drogas, imprudência ou ignorância, são partes de um esporo ou de um expurgo?
É um assunto enfadonho, mas os que estão indo são capazes de habitar outro planeta acima ou abaixo do estágio da Terra? Estariam indo promovidos ou expurgados?
Iriam para um planeta de inferior ou de superior qualidade?
Você, leitor, está em condições de opinar sobre isso?
Parece-nos que há três lados: (a) antecipar, apressar a saída daqui porque são chamados a uma dimensão superior; (b) serem levados a sair apressadamente para ocupar uma dimensão inferior; c) ficar e permanecer para purificar ainda mais o que temos aqui.
Em qual lado você acha que está?
Toda a reflexão pertence a você.